Aluno: Ana Rita Ferrinho Silva
Resumo
Este estudo analisa os fatores determinantes na escolha entre a International Financial Reporting Standard (IFRS) 9 e a International Accounting Standard (IAS) 39 em contabilidade de cobertura. A IFRS 9, que entrou em vigor em 2018, trouxe maior flexibilidade na contabilização de cobertura, permitindo a utilização de um leque mais amplo de instrumentos de cobertura e itens cobertos, além de um critério de determinação da eficácia mais flexível, em comparação com a IAS 39. Esta mudança responde às críticas de que a IAS 39 impunha restrições excessivas, desencorajando o uso de cobertura e gerando uma contabilização que não refletia adequadamente as estratégias de gestão de risco das empresas. No entanto, as entidades podem optar atualmente por manter a adoção da IAS 39 até que o projeto de macro cobertura esteja concluído ou podem adotar imediatamente a IFRS 9, em matéria de contabilidade de cobertura.
Desta forma, o presente trabalho visa identificar os fatores que determinam a escolha entre os dois normativos sobre a Contabilidade de Cobertura, fornecendo informação relevante sobre o cumprimento dos objetivos do International Accounting Standards Board (IASB) com a IFRS 9. Através de um modelo probit, foram analisados os fatores que influenciam a escolha entre os dois normativos, considerando variáveis como o risco de crédito, os incentivos dos Chief Executive Officer (CEO), o setor financeiro (ou não financeiro) e a rendibilidade dos dividendos. Para tal, foi utilizada uma amostra que contemplou as empresas dos índices FTSE100 e EUROSTOXX50. Os resultados mostraram que entidades com maior risco de crédito e elevada rendibilidade de dividendos têm probabilidade superior e inferior em adotar a IFRS 9, respetivamente. Os bancos, por sua vez, mostraram uma menor tendência em adotar esta norma por preferirem aguardar pela conclusão do projeto de macro cobertura do IASB.
Trabalho final de Mestrado