Aluno: Afonso Ferreira Marques Morango
Resumo
Numa realidade internacional onde o pêndulo da luta pelo poder oscila entre metralhadoras Maxim, drones, sanções económicas e obras-primas da Sétima Arte, os Estados entendem que moldar mentes e arrebatar corações alcançou uma relevância sem precedentes. À medida que a China continua a traçar a sua trajetória ascendente única, a curiosidade em torno do colosso asiático cresce e Pequim compreende que o florescimento económico do país deve ser acompanhado por uma produção cultural igualmente vibrante. Naturalmente, o soft power emerge entre os mais altos quadros da liderança política chinesa como a base de instrumentos ideal para alcançar credibilidade e consideração nos círculos onde se decidem os destinos do mundo, deslumbrando e tranquilizando todos aqueles que desconfiam das suas intenções. Esta ofensiva de charme tem particular expressão em África, nomeadamente na Etiópia, um país especial na cronologia africana que saúda com fervor a projeção de soft power chinês. Partindo deste conceito, que encontra na narrativa chinesa uma expressão sem paralelo na História, esta dissertação tem como objetivo investigar de que forma a China tem atraído a Etiópia, mormente através da análise crítica das duas narrativas estratégicas que têm guiado a expansão do soft power chinês: 1) o investimento económico e a ajuda ao desenvolvimento fornecidos pela China e 2) o papel dos Institutos Confúcio na promoção da cultura chinesa. Ao investigar estas duas vertentes, este estudo visa não apenas esclarecer como o soft power chinês afeta as perceções etíopes, mas também como a influência chinesa na Etiópia atua como um operador fundamental nas Relações Internacionais contemporâneas, reconfigurando dinâmicas regionais, redefinindo o paradigma de desenvolvimento em África e transformando os eixos da geopolítica global.
Trabalho final de Mestrado